quarta-feira, agosto 25, 2010

SER SOCIAL

O que é ser um ser social?


É oferecer o dia inteiro um sorriso para pessoas que você precisa conquistar para agregar a sua clientela?

É estar em um ônibus lotado e fazer de conta que não viu a senhora idosa de pé, pois você trabalhou o dia inteiro, pagou a passagem, enquanto que os idosos fazem turismo pela cidade?

É criar atritos com os colegas de trabalho para mostrar sua competência?

É julgar pela aparência?

É estar sendo filmado por toda parte, nas lojas, bancos, supermercados, na rua?

É ter direito a saúde, garantida por lei e morrer na fila de espera por atendimento?

É olhar como algo comum, até normal, um ser social revirando o lixo a procura de alimento?

O mundo tornou-se o que poderíamos chamar de macro jaula, que abriga estes seres sociais que habitam em sua maioria em micro jaulas. Sim, somos seres sociais, precisamos nos proteger uns dos outros. Inclusive, são inúmeros os modelos de micro jaulas. Podemos observá-las, nas janelas das casas, nos muros, nos carros, em qualquer lugar, principalmente nos bolsos interiores dos seres sociais, que permite a construção de uma escala de valores e importância em relação aos outros. Estamos a todo o momento sendo medidos com a mesma escala com que medimos. Isto porque nossas atitudes demonstram aos outro até que ponto poderão aproximar-se. Sendo que cada um determina o seu próprio limite, apesar de nem sempre respeita-lo, e quando isto ocorre automaticamente o limite do outro é invadido. Com isto, constatamos que, um ser só poderá ser social se conseguir socializar-se com seus próprios limites, isto é, consigo mesmo. Parte do “eu”, determinar e equilibrar a interação social. O maior erro que acomete os seres sociais é a certeza de que a maior falha sempre está no outro. É como aquela velha e sempre atual narrativa bíblica de Adão e Eva. Estamos sempre a caça do culpado, neste caso, Eva culpou a serpente, que por sua vez culpou Adão que sem mais alternativas culpou a Deus por ter feito a mulher. Outro personagem bíblico que leva a culpa pelas atrocidades cometidas entre os seres sociais é o demônio, também chamado de coisa ruim, encardido, capeta. O que não falta é opção no momento de apontar os culpados por tanta injustiça, temos os políticos corruptos, os policiais bandidos, os traficantes, os negligentes, os vagabundos, os espertinhos, os assaltantes, os pedófilos, enfim, assumir o próprio erro por aqui é um fato raro. E assim, vamos levando a vida, nos socializando, nos conformando, denunciando, reclamando, criticando, raramente, muito raramente mudando, a não ser de partido político, de emprego, de namorado (a), de carro, mas a postura continua a mesma, o hábito de socializar-se teoricamente, apenas com palavras pouco edificantes está longe da verdadeira prática que seres sociais que dividem o mesmo espaço, pelo qual entraram ao nascer e o deixarão ao morrer deveriam exercer.

Não pense o prezado leitor e a prezada leitora, que com este texto e no atual contexto pretendo aqui demonstrar qualquer tipo de descrença nos seres sociais, ao qual graças a Deus, fizemos parte. Pelo contrário, acredito que podemos ser melhores e criar oportunidades para que as mudanças ocorram antes que seja tarde demais, acredito ainda que o tempo é agora e que a hora é esta e que as grandes mudanças começam pelas pequenas atitudes. Cada um é capaz de fazer a diferença, porque ser social é uma questão de atitude!

Autora: Marcia Kraemer

sexta-feira, julho 02, 2010

QUANDO

Quando minhas frases se referem a mim, nem tente entende-las, apenas lembre-se que eu também tenho sentimentos.
Quando em um poema que escrevi perceberes um fundo de melancolia e desesperança não o ignore, apenas o respeite porque foi escrito com a tinta escura da dor.

Quando uma crônica for pesada, com denúncias de crueldade, não a julgue, apenas reflita suas atitudes diante do mundo.

Quando encontrares nas entrelinhas de um conto algum fato relacionado com a minha vida não queira saber por que o deixei ali, apenas perceba em que parte dele uma parte da sua vida também se encaixa.

Quando encontrares uma de minhas memórias rabiscadas por aí não apague, mesmo que pra você possa parecer inútil e sem graça, apenas deixe-a de lado. Alguém mais sensível que você poderá encontrá-la.

Quando for julgada, que não seja pelos meus atos ou pela minha escrita, pelo simples fato de não querer sentir um calafrio percorrendo meu corpo pelos olhares desprovidos de discernimento.

Quando tentares entender minha alma poética, não encontrarás nada além do que já te foi revelado, o suficiente para que entendas que tenho um coração de carne igual ao seu.

Quando me perguntares por que escrevi isto ou aquilo, responderei que apenas escrevi sem a pretensão de que você goste ou não, entenda ou não, reflita ou não, pois me cabe apenas escrever. O que vier depois cabe somente a você.

Quando em todos despertar com clareza que não busco fama, meus escritos correrão o mundo clamando pela edificação humana.

Quando meu clamor ecoar no deserto das almas adormecidas, terei concluído minha missão e em meio à multidão despertada verei vida onde não existia, verei amor onde não havia e verei, enfim, a possibilidade de abrir novos caminhos agora já sem pedras e sem espinhos.

Por: Márcia Kraemer

segunda-feira, junho 07, 2010

VIDA

O sonhador idealiza a vida.

O arquiteto projeta a vida.

O louco instiga a vida.

O médico salva a vida.

O pedreiro constrói a vida.

O espiritualista busca a vida.

Os sábios meditam a vida.

O pobre sobrevive à vida.

O rico esbanja a vida.

O covarde oculta a vida.

O persistente vence a vida.

O soberbo mina a vida.

O filósofo teoriza a vida.

O cientista copia a vida.

O escritor escreve a vida.

O invejoso critica a vida.

O ignorante ignora a vida.

O poeta eterniza a vida.

O cantor canta a vida.

O músico embala a vida.

O maestro rege a vida.

A mãe gesta a vida.

O pai germina a vida.

Deus semeia a vida, é o único Ser capaz de ressuscitar e suscitar a vida.

O curioso pergunta: - Quem realmente sabe viver?

A vida é uma questão de postura.

A vida é conseqüência da maneira como nos colocamos dentro dela.

Os aprendizados ocorrem do comprometimento com a vida.

Comprometer-se com a vida é inserir-se no ciclo existencial de forma universal.

A universalidade da vida está na complexidade do ser.

A complexidade do ser transcende o ciclo aparente do fadado destino embutido na teoria do conceito humano da palavra vida; “um espaço entre o nascimento e a morte”.

A vida é mais que uma simples palavra conceituada no dicionário.

A vida é uma passagem nas mãos da criatura e eternidade nas mãos do criador.

Fazer acontecer o espaço entre o nascimento e a morte consiste na evolução humana do ser e de ser.

A compreensão do processo evolutivo tridimensional: “corpo, alma e espírito” revelam a plenitude da vida.



Márcia Kraemer

quarta-feira, maio 05, 2010

DE MÃE PARA FILHOS

ESTE TEXTO É DEDICADO AOS MEUS FILHOS,  MAICON VANESSA E ROSANA,
AS TRES PÉROLAS DA MINHA EXISTÊNCIA

CICLO EXISTENCIAL

Despidos do véu da infância como o desabrochar de um lindo e perfumado cravo e duas  rosas orvalhadas  ao amanhecer.

Levem para a vida adulta  a inocência do olhar da infância.

Abram com elegância as cortinas da adolescência como uma janela que se abre para o sol.

Levem em suas bagagens  a ternura das crianças que foram.

Absorvam as mudanças e os saberes como a terra absorve a água e o calor para germinar sua semente.

Do menino adolescente agora homem feito e das meninas, uma jovem moça, e a outra mulher, com o olhar da infância e com eterna ternura , caminhem para abraçar seus sonhos como a lua abraça a noite.

E se porventura sentirem revolta não se aflijam, é o medo de crescer.

E muitos medos virão ainda, lutem contra eles como  guerreiros em batalha constante.

Vibrem com suas vitórias assim como eu vibro a cada dia  por vocês existirem.

Jamais lamentem-se  por suas derrotas, elas servirão de suporte e os  ensinarão a crescer.

Façam de seus contra tempos uma escada para o sucesso, mas não tenham pressa de subir, vão devagar, subam cada degrau como se fosse o primeiro, assim não terão receio dos próximos e terão vivido bem os anteriores.

Na subida mantenham os olhos fixos no alto, mas não percam de vista tudo o que deixaram para traz,  muito menos os que ajudaram vocês a subir.

Cultivem a gratidão assim como a natureza á grata ao seu Criador.

Tenham muitos amigos e ofertem sempre aos outros o sentimento de amizade e respeito, para que não corram  o risco de chegarem sozinhos e frustrados ao topo da montanha da vida.

Quando  sentirem-se exaustos, não tenham vergonha de sentar-se em um dos degraus, e não se esqueçam de mesmo cansados  incentivar quem continua subindo. Se não conseguirem  levantar-se sozinhos, não se preocupem, haverá sempre um anjo atento que  estenderá a mão, apenas não se desesperem, esperem por ele. Mas, cuidado para não sentarem-se cada vez que aparecer um obstáculo, para não correrem o risco de passarem a maior parte da vida sentados esperando um anjo, ele sabe o momento de aparecer e vai  deixar vocês por muitas vezes sentirem-se abandonados, para que aprendam a levantarem-se  sozinhos e tornarem-se assim  anjos  para os outros e para vocês mesmos.

Quando as perdas surgirem saibam conviver com elas para que a amargura do vazio que fica não azede a esperança. Aceitem-nas como ciclo natural da vida, onde uns partem e outros ficam, e quando a saudade teimar em doer façam das lembranças um ato de louvor a Deus.

Não fiquem constrangidos se tiverem que chorar, acolham as lágrimas, deixem que elas banhem suas faces como manifestação da alma que expressa sentimentos nobres.

Respeitem seus próprios limites e aproveitem para  conhecerem-se  a si mesmos pela sabedoria que cada um deles revela quando são devidamente aceitos e respeitados.

Aprendam que há tempo certo para tudo, criem seu observatório pessoal para administrar este tempo destinado a vida, assim sempre sobrará um tempo reservado á reflexão na busca do auto conhecimento. Sim, porque os questionamentos em torno de si mesmo virão, e deixa-los sem resposta é a maior crueldade que alguém é capaz de praticar a si mesmo.

Portanto, não sejam cruéis com vocês mesmos.

Amem-se acima do próprio egoísmo.

Aceitem-se acima dos seus próprios limites.

Todos os dias antes de adormecerem façam da sua oração um ato sublime de perdão.

Vivam com intensidade e amem com profundidade, para que possam brindar com a vida o ciclo existencial que  foi generosamente reservado a cada um de nós, sendo eu eternamente mãe e vocês eternamente filhos amados!
Obrigada pela oportunidade de ser mãe pois, foi somente a partir da existência de cada um de vocês que assim me tornei.
AMO VOCÊS! FELIZ DIA DAS MÃES.

Márcia Kraemer, 27/ 01/2010

segunda-feira, maio 03, 2010

NOVIDADES!!

Olá amigos e amigas da poetisa Mar.
Temos muitas novidades, graças a Deus.
A mais recente é que passei a contribuir com meus textos para o Jornal Folha do Alto Vale/Artigo. Estou muito feliz com mais este espaço para divulgar meus trabalhos. Lembro a todos e todas que continuo no blog do minhocanacabeca; meualtovale; escritoresdoaltovale;programa Rádio Lelé na UNIDAVI FM toda quarta as tres da tarde com reprise aos sábados dez da manhã e agora também no Orkut em mtkraemer@hotmail.com.
Um abração galera amada! Fiquemos todos na paz de Deus!

domingo, abril 18, 2010

SONHOS

O sonho só pode ser considerado como tal se atrelado a um planejamento de concretização, caso contrário não é sonho é ilusão.
O ato de iludir-se é sonhar sem planos.
O ato de sonhar é criar projetos possíveis de realização.
A ilusão nada realiza a não ser a própria desilusão.
A desilusão está contida na ilusão.
Os sonhos contem a realização.
Viole os sonhos de uma criança e estarás contribuindo para a formação de um jovem descrente.
Viole os sonhos de um jovem e este se tornará um adulto frustrado.
Viole os sonhos de um adulto e ele se tornará um aposentado precoce.
Viole os sonhos de um idoso e estarás privando o seu direito de voltar a ser criança.

quinta-feira, abril 08, 2010

LEMBRANÇAS/GRATIDÃO





Ah! Inúmeras são minhas lembranças nestes quarenta e nove anos que tive a graça de viver.
E os que eu tenho ainda por viver, cabem a Deus me conceder.
Só sei que, os que eu já vivi jamais hei de esquecer, estão muito bem guardados na profundidade de uma saudade saudável. Onde imperam as recordações de um tempo, de momentos, de fatos, de gente, de lugares, independente de tristes ou alegres, estão aqui, fazem parte de mim. São partes minhas.
A partir deles fui tomando forma, criando, reformulando e excluindo normas. Resgatando conceitos. Errando e acertando.
Entre os sim e os não que a vida me deu estou prosseguindo. Há coisas que não lembro, talvez porque não merecem serem lembradas, mas há coisas que estão muito próximas de mim, algumas até me atrapalham outras me elevam, dentre as que eu lembro tenho ainda aquelas que já deveria ter esquecido, outras que não quero esquecer e outras ainda que não consigo esquecer.
Tenho fardos leves de lembranças, mas, tenho também os pesados precisando ser revisados, mas, pouca importa, todos fazem parte da minha bagagem, estão na minha mochila existencial, me ajudando a crescer e a vencer, a lembrar e a esquecer.
O que eu fui eu sei, mesmo sem compreender muito do que eu fui, o que sou é sempre um mistério que se revela quando se torna o que fui e o que serei não sei, e nem posso saber, pois ainda não sou o que serei, pouco importa, no momento apenas sou o que sou, para amanhã se houver, ser diferente, pois em nada necessito dos aplausos céticos, meu ser será sempre latente para os desprovidos de atenção, sempre demente para os néscios, inconstante, mas em um breve instante saberão quando diante de si estiver escrito no epitáfio da poetisa que enfim regozija a célebre frase por ela escrita ao longo da vida: “Permaneço viva em cada verso que escrevi. Aqui jaz apenas um corpo, a alma segue compondo um soneto eterno para ti!”
 Márcia kraemer
(Poetisamar)

quarta-feira, abril 07, 2010

ANSEIO POÉTICO





Escrever não é algo assim tão simples. As inspirações não marcam hora nem lugar, simplesmente vem.
Quando menos se espera, elas batem a porta da mente, invadindo os pensamentos, provocando sucessões de sentimentos, abrindo caminhos para as palavras que surgem pelo vasto universo da reflexão, muito bem acomodadas na carruagem da eloquência. É uma espécie de carruagem real, com cavalos alados, conduzidos por um esbelto cocheiro epiceno e épico.
Brincar de ciranda com as palavras,
Pular corda com os versos,
Desafiar os conceitos,
Quebrar os paradigmas,
Reformular as idéias,
Duelar com os sentimentos,
Chorar, sorrir, escrever, rabiscar,
Apagar, amassar, extravasar...
Como pipoca no calor do fogo,
As idéias estouravam,
Os pensamentos explodiam,
Em meio a um doce suave parto,
Nascia um poema.
Gerado na alma, útero da verdadeira inspiração.
Brincadeira?
Desafio?
Duelo?
Lágrimas?
Sorrisos?
Idéias?
Pensamentos?
Emoções?
Fogo?
Alma?
Fonte?
Em que canto obscuro meu ser os abandonou?
Inerte, exilada do próprio eu.
Tornei-me estrangeira dos sentimentos.
Sedenta de emoções.
Saciem minha fome poética.
Retornem ao casulo.
Promovam a metamorfose.
Que os sinos da mente voltem a soar,
Anunciando um novo despertar.
- Acorda poetisa!
- És tu quem dorme!
Márcia Kraemer
09/12/09 20:24 min.

sexta-feira, março 26, 2010

SER POETA

Desvendando algumas características deste ser, que dá vida às palavras, aos sonhos e anseios enrustidos na essência da alma, por detrás das cascas dos medos, incertezas e inseguranças, suavemente rasgadas pelos versos de esperança, pelas rimas da existência, e pelo suave prazer da leitura que convida a uma desconexão do mundo irreal (este), para o mundo real (interior), em um breve encontro consigo mesmo com seus sentimentos e emoções, lágrimas e sorrisos, descobre-se o âmago do próprio ser na profundidade e na intensidade das palavras escritas pelas mãos mágicas do poeta que brinca de ciranda com as letras e pula corda com os versos.
Poeta é assim vê vida aonde aparentemente não tem, vê amor aonde aparentemente não existe, vê caminhos em meio a pedras e espinhos.
O poeta arranca o véu da aparência trazendo à luz as verdades mais veladas e temidas, mais covardes e desafiantes para o intelecto dos inertes e a certeza de que o amor existe para quem nele crê, com ele vive e por ele se doa nas entrelinhas da vida, onde está escrito que só se ferem os que a ele não se entregam, só se decepcionam os que ele idealizam, e só morrem os que dele se desviam.
Na leitura poética do mundo dos relacionamentos, amor e amizade são sentimentos intimamente e inseparavelmente ligados. Sendo que não existirá amor sem amizade como também não existirá amizade sem amor. A dinâmica entre ambos pode ser comparada a semente e o barro, que juntos brotam, juntos florescem, juntos saciam, juntos oferecem seus frutos. A semente sem o barro é apenas uma semente, o barro sem a semente é apenas um punhado de barro. O amor não surge sem o amparo da amizade e a amizade não dura sem o amparo do amor. Portanto, o ser poeta está muito além de escrever palavras bonitas, ser poeta antes de tudo é ser protagonista do amor e da amizade.
O poeta elege como fonte sua própria alma, fragmentada em seus poemas, versos e canções. E se vem da alma para ela retorna com maior intensidade, libertando-a, pois, o poeta é distribuidor das preciosidades reservadas em seus constantes mergulhos nas profundezas do oceano da reflexão para assim transformá-las em ação libertadora, mesmo que nem sempre tenha vivenciado aquilo que escreve, mas, sempre escreve aquilo que sente. E são vários os sentimentos que levam o poeta a compor e estes sim são experimentados em sua totalidade.
Na concepção poética não existe meio termo, existe busca para encontrar um sentido completo ao desenvolver seus pensamentos, existe busca pela palavra exata que transpareça a razão de ser dos seus escritos dentro de um contexto lirístico complexo que proporcione ao leitor, no ato da leitura, a partilha e a experimentação dos sentimentos contidos nas palavras.
Mesmo que não deixe transparecer o poeta está sempre atento a tudo e a todos, são fatos, movimentos, palavras, paisagens, a madrugada, uma simples folha seca jogada ao chão. Nada, nada escapa a sua capacidade coletora e inovadora de idéias, capaz de transformar o que é já é belo em algo fascinante e o insignificante no que há de mais belo.
Congênito por natureza, artista por excelência, com um forte e aguçado magnetismo literário, fomenta em cada verso um trepidar de emoções que exaltam o amor e a amizade na plenitude da vida!
Autora: Márcia Kraemer

quinta-feira, março 18, 2010

AMIZADE

É a certeza do amparo nas horas difíceis.
É um ombro sempre a disposição para um aconchego.
É a luz que ilumina o breu da solidão.
Amizade, é sentimento é partilha é respeito.
É a certeza de não estar só.
É um abraço que acolhe.
É uma mão que se estende.
Amizade, é emoção, é diálogo, é zelo.
É mão estendida.
É coração aberto e ouvido atentos.
É o receber e o repartir.
Amizade, é coragem, é força é gratuidade.
É fruto do amor, semente da paz.
É o ponto de equilíbrio universal.
É o primeiro aprendizado de todo ser vivo.
Amizade, é vida, é esperança, é doação.
É reflexão para o sábio.
É o tesouro dos humildes.
É remédio para enfermos.
Amizade, é sabedoria, é humildade é fraternidade.
É a porta sempre aberta.
É um copo de água e um pedaço de pão.
É um teto, um lar.
Amizade, é dignidade, é alimento, é abrigo.
É ética e moral.
É direito e dever.
É humana e divina.
Amizade é convivência, é união, é justiça.
É a dinâmica social dos valores.
É o peixe e o rio.
É a criança e o colo.
Amizade é igualdade, é gratidão, é a inspiração do Amor!
Autora: Márcia Kraemer.

terça-feira, março 09, 2010

O AMOR QUE EU QUERO!

O amor que eu quero!
Eu quero um amor
Que flua além do lençol
Sem iscas, nem curva de anzol.
Longe das malhas das redes
Livre das quatro paredes.
Eu quero um amor
Que pulsa, correndo nas veias,
Sem tramas nem teias.
Que em nós fique selado,
Sem algemas, sem passado.
Eu quero um amor
Sem arrependimentos,
Forte contra os ventos.
Sem os riscos da sorte
Longe da trena da morte.
Eu quero um amor
Que dure 24 horas por dia,
Sem palco, nem fantasia.
De contínuas emoções,
Que não se sujeite as prisões.
Eu quero um amor
Que nos torne mais gente,
Em constante presente.
Que nos faça viver
Sem nunca precisar renascer!
Autora: Marcia Kraemer

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

CRÔNICA: ACHISMOS

Conceito de achismo: “prática de opinar categoricamente sobre vários assuntos, em geral sem ter autoridade em nenhum deles”.
“Quem procura acha”. Só procura quem perdeu e só encontra quem procura.
Não procuramos somente por aquilo que perdemos, mas por aquilo que ainda não temos. Não me refiro apenas a objetos, pelo contrário me refiro a encrenca dos maus entendidos.
A expressão, “Eu acho” é um perigo, agora, eu acho que a outra pessoa acha é suicídio, principalmente quando este achismo vira certeza na mente de quem acha.
A falta de clareza nas conclusões pode desencadear inúmeras situações de desconforto, seja no trabalho, entre amigos, entre casais então é um passo para a separação.
Nem sempre as pessoas interpretam nossas falas de maneira que entendam realmente o queríamos dizer. E nem sempre também, falamos com clareza, deixando no ar aquele entenda como quiser, tire suas próprias conclusões, pense o que quiser.
Olha o risco que se corre abrindo este leque de achismos em torno dos nossos relacionamentos. A clareza e a objetividade são fundamentais para organizar a própria vida e querendo ou não os outros fazem parte da nossa vida, uns de maneira mais intensa e significativa, outros nem tanto, mas isso não importa quando o assunto é comunicação.
Tem um ditado que diz “para um bom entendedor meia palavra basta”, a questão é onde estão os bons entendedores?
Sem adequar-se ao sujeito que o ouve você acabará tornando-se o único entendedor daquilo que deseja expressar. Parece tão difícil admitirmos que não entendamos bem o que o outro quis dizer. Não dói nada dizer: “Desculpe, não entendi”.
É melhor do que achar e partir para uma discussão desnecessária do tipo:
- Ah, então você acha que eu...
- Eu não quis dizer isso...
- Ah, não quis, mas disse...
- Você não entendeu...
- Pra mim chega, não quero mais falar neste assunto.
Qual era mesmo o assunto? Bem, analisando o “diálogo”, percebe-se que um ficou no achismo, sentindo-se ofendido e o outro não conseguiu expressar-se de maneira clara e objetiva, apesar de ser talvez a única maneira que conhece. Geralmente o achista ofendido é pavio curto, ou então estamos em um daqueles dias, ou naqueles dias.
Quem consegue segurar o pavio quando não está bem? O pior de tudo é quando ele acaba justamente com aquela pessoa que fez apenas uma perguntinha, e leva aquele sermão sem entender nada.
É, somos assim, vulneráveis, e apesar disso até hoje não vi em ninguém um crachá identificando o humor do dia. É evidente que em alguns casos mais graves, percebe-se de longe pela fisionomia se podemos ou não chegar perto de determinada pessoa e vice e versa. Tem dia que não dá pra disfarçar? Melhor seria nem ter saído da cama.
Não defendo as certezas fechadas na razão, muito menos na emoção. Quando se diz eu acho é porque não se tem ainda uma opinião formada, sendo assim não se pode ter certeza muito menos razão. Eu acho é apenas uma possibilidade em meio a várias que poderão surgir assim como surgirão outras possibilidades em meio as certezas e as razões.
Tenho absoluta certeza e por isso tenho razão, até que me provem o contrário, também há um grande risco nesta afirmação, o melhor seria se cada um provasse para si mesmo, por meio de uma reflexão equilibrada em torno dos próprios achismos, das próprias certezas e das próprias razões resultando em um consenso subjetivo.
O equilíbrio está na flexibilidade das atitudes e dos pensamentos. Ser flexível não significa ser uma Maria vai com as outras, o próprio equilíbrio fornece a flexibilidade necessária para prosseguir com menos quedas. O equilíbrio e o humor também são uma questão de escolha, assim como a roupa, o sapato, a bolsa, que você escolhe para sair. Se você acha que vai chover, leva sombrinha, se achar que não a deixa em casa, mas por “achar” corre o risco de se molhar ou escolhe andar sempre com a sombrinha na bolsa.
O mau humor e o bom humor são dois “bichinhos” que estão dentro de cada um de nós, e podemos escolher entre alimentar um ou outro, e sabemos muito bem quais são as preferências gastronômicas de cada um e a indigestão que o mau humor causa. Então é ou não é uma questão de escolhas?
Autora: Márcia Kraemer